domingo, 4 de maio de 2014

ELEVADORES

Modernização mecânica dos elevadores: melhor desempenho, maior economia

Um elevador envolve muito mais do que cabina e casa de máquinas. Há uma série de componentes mecânicos e eletromecânicos, imperceptíveis para a maioria dos usuários, mas que são determinantes para a operação eficiente e segura do equipamento. Em modelos antigos, com mais de vinte anos de uso, gastos excessivos com manutenção, paralisações rotineiras, desníveis entre cabina e andar, além do consumo exagerado de energia, são indicadores de que é chegada a hora de investir em uma modernização mais ampla.

"Muitas vezes a segurança e a confiabilidade podem estar comprometidas e o que é gasto com a substituição de componentes pontuais pode não compensar financeiramente ou mesmo surtir efeito", explica Max Santos, diretor do Seciesp (Sindicato das Empresas de Elevadores do Estado de São Paulo). A atualização é frequentemente indicada também para evitar transtornos como a falta de peças de reposição e para atender às exigências de normas de segurança e da legislação vigente. Vale lembrar que muitos equipamentos antigos operam com sistemas de freios que não atendem aos requisitos das normas técnicas mais recentes.
Foram justamente as sucessivas interrupções no funcionamento que levaram a síndica do Edifício Residencial Simone, no bairro da Vila Olímpia, em São Paulo, a optar pela modernização dos elevadores. "Fizemos as contas e percebemos que valia mais a pena partir para uma ampla renovação mecânica e estética. Isso porque, além de valorizar os imóveis, esse tipo de intervenção garante maior segurança aos usuários e economia ao condomínio, já que utiliza tecnologias mais eficientes", comenta a síndica Vanessa Tena. A modernização do equipamento social, com mais de quatro décadas de uso, foi concluída recentemente, após dois meses de trabalhos. "As interrupções no funcionamento por problemas mecânicos foram reduzidas a zero. Ficamos tão satisfeitos que assim que terminarmos de pagar por essa melhoria, pretendemos fazer o serviço também no elevador de serviço", revela a síndica.
No prédio da Delegacia da Receita Federal, localizada no bairro do Pacaembu, também em São Paulo, a modernização tecnológica de quatro elevadores (dois sociais e dois de serviços) vem sendo igualmente bem avaliada pelos usuários e gestores do prédio, informa Carlos Eduardo Barbieri. O analista, que é membro da comissão que fiscalizou as reformas do edifício construído nos anos 1950, destaca a troca do painel de controle por um modelo computadorizado, e a substituição de motores de corrente contínua por outros de corrente alternada, como as ações que tiveram maior impacto. "Como paralelamente fizemos outras melhorias no prédio, fica difícil mensurar o tamanho exato da economia provocada pela renovação dos elevadores, mas ela certamente aconteceu porque nosso consumo mensal de energia caiu drasticamente", comemora Barbieri.

COMANDOS COMPUTADORIZADOS

A modernização dos sistemas mecânicos e eletromecânicos dos elevadores possibilita aos usuários dos edifícios antigos usufruírem o conforto proporcionado pelo que há de mais avançado no mercado hoje, como, por exemplo, os comandos computadorizados com inversores de frequência. Diferente dos antigos painéis de comando eletromecânico que funcionavam em conjunto com freios de lonas, o comando computadorizado controla toda a movimentação do elevador como partida, frenagem, abertura e fechamento de portas. Ele também diminui a velocidade do motor, minimizando o desgaste dos freios.
"Os comandos computadorizados agregaram muito mais conforto aos usuários. Em conjunto com outros componentes que estão atrelados à sua instalação, propiciam paradas mais suaves, redução de ruídos, nivelamentos precisos e economia de energia significativa", compara Max Santos. Para se ter uma ideia, os antigos elevadores de corrente alternada com uma ou duas velocidades, conhecidos como AC1 ou AC2, consomem até 40% a mais de energia em comparação a um equipamento com tecnologia mais atualizada.
Outra solução que costuma ser adotada nos projetos de modernização de elevadores, visando proporcionar um tráfego mais seguro, é a cortina luminosa. Trata-se de um conjunto de feixes infravermelhos que se entrelaçam varrendo toda ou boa parte da área da porta. A tecnologia permite ao quadro de comandos saber se há alguma pessoa ou objeto no trilho antes de a porta se fechar, evitando acidentes.

FACILIDADES E CUIDADOS NA CONTRATAÇÃO

O investimento na modernização de elevadores varia de acordo com a avaliação dos equipamentos existentes e com a necessidade de cada condomínio. De forma geral, um pacote básico de modernização contempla a substituição de itens como quadro de comando, sensores de nivelamento, fiação elétrica completa (tanto fixa, quanto móvel), botoeiras de cabina e pavimento, caixa de inspeção na cabina e no poço e limites finais. "A vida útil destes equipamentos depende diretamente da utilização", explica Max Santos, lembrando que em casos de boa conservação, eles podem durar cerca de vinte anos. Já os operadores de porta, os trincos e fechadores de porta, além das portas de pavimento, podem ficar para uma segunda intervenção. "A modernização parcial é perfeitamente factível. Neste caso, a empresa responsável pela manutenção dos elevadores deve indicar os itens mais críticos que merecem maior atenção, fazendo esta programação, caso a caso", encerra o diretor Max Santos.
Por Juliana Nakamura
Matéria publicada na Edição 180 - jun/2013 da Revista Direcional Condomínios

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